Quanto cobrar por um Freela?

É inevitável que a pergunta “quanto cobrar por um freela?” seja a primeira a ser feita quando o freelancer inicia sua jornada.

No ano passado através do Amarelo Criativo, nós fizemos uma pesquisa com o objetivo de saber como (e quanto) estão cobrando os freelancer em BH. O resultado você pode ouvir nesse podcast e infelizmente não foi dos melhores, e gerou até uma nova pesquisa, que logo mais estará no ar. Quando o assunto é descobrir quanto cobrar por um freela não saber por onde seguir

Não apenas por causa desta pesquisa mas também por motivos de: frequentemente essa é a principal dúvida pela qual sou procurando. A maioria dos freelancers que participam do Clube Vip me perguntam como e quanto cobrar.

A questão é que realmente não há uma tabela a ser seguida e nem informações o suficiente que nos traga segurança na hora de estabelecer um preço para um projeto.Na realidade o mercado é bastante competitivo e não existe (e nem existirá) um valor fixo para os freelas.

Além de cada pessoa ter seu próprio tempo, conhecimento e habilidades, cada projeto é igualmente único, exigindo diferentes níveis de complexidade, tempo de execução e com certeza irá depender também do budget (investimento) disponibilizado pelo cliente.

Por isso a forma que apresentarei abaixo é a que convencionalmente é mais usada e comum. No decorrer do post vou dando minha visão sobre esse método e dicas um pouco mais “pessoais” sobre esse método.

Definindo seu valor

Antes de falar de MONEY, vamos falar de uma coisa quase esquecida em todos os textos que li sobre precificação: QUANTO VALE seu trabalho? Ficou confuso? Eu explico: frequentemente eu escuto/leio/assisto a galera do mercado ensinando sobre encontrar o seu preço com base nos seus custos, mas esquecem um detalhe no caminho: seus custos não definem você.

Seus custos raramente vão definir seu VALOR, e valor estou falando do que você AGREGA aos seus projetos/clientes.

Se você tem um excelente atendimento e finaliza o projeto com um excepcional pós-venda, você definitivamente está entregando valor.

Caso você consiga entregar para seu cliente MAIS do que um site de venda: uma ferramenta de sucesso online, você está entregando VALOR.

Pode ser que para você uma logo represente apenas isso (se você pensa assim, acho que já é hora de repensar os motivos de suas vendas serem fracas, não acha?), quando na verdade você está entregando para ele uma “ferramenta” de comunicação poderosa, capaz de “marcar” e mente do cliente dele.

Será que te confundi mais ou consegui explicar bem? (As vezes me empolgo mesmo kkk)

“Agregar valor é anexar ao produto ou serviço, ideias práticas com objetivos claros e fáceis de mensurar.”

Novamente reafirmo: não estou falando de valor monetário, mas sim sobre o MOTIVO pelo qual teu cliente DEVE comprar de você.

Negócios hoje, não importa o nicho, necessitam ser focados no CONSUMIDOR e não no produto, seja lá qual for o serviço que você ofereça, ele precisa ter um VALOR AGREGADO e se não tem, você está em um caminho equivocado, volte três casas.

Dito isso, vamos aos finalmente: Uma vez que você saiba qual VALOR você agrega, não esqueça que isso também é um custo e muitas vezes ele é esquecido completamente na hora de precificar um produto. Isso porque precificar o valor que você agrega é quase impossível, mas vou te mostrar a minha forma de fazer isso.

Analisando a Concorrência

Naturalmente alguns profissionais mais experientes e habilidosos entenderam a máxima que falei sobre valor, e por conta disso e também de suas próprias habilidades e conhecimentos acabam por cobrar um pouco mais alto – Justo!

Em contrapartida profissionais menos experientes, que desconhecem a questão do valor e muito provavelmente não tão habilidosos, acabam cobrando mais barato.

Ainda assim informe-se sobre os valores praticados no mercado: veja outros amigos, conhecidos que “freelam”, pergunte nas redes, acesse pesquisas (logo mais teremos uma lá no Amarelo), recorra ao Pai Google se necessário.

Com essa informação em mente você terá uma perspectiva legal para seguir adiante.

Quanto custa sua hora?

Agora que chegamos aqui, precisamos saber qual o preço da sua hora de trabalho.

Para isso você precisa pegar um papel e uma caneta – Ah! E uma calculadora – ou abrir o excel, se preferir.

Tudo em mãos? Vamos seguir então.

É importante que você tenha noção de algumas coisas, a primeira dela é: Quanto você gostaria de ganhar mensalmente? 1 mil? 2 mil? 10 mil? Esse é o primeiro valor que você vai escrever/digitar aí.

Uma vez feito isso, vamos descobrir quanto você PRECISA receber mensalmente.

Em uma primeira coluna coloque todos os seus custos: Aluguel, água, condomínio, luz, alimentação/despesa, internet, coworking e custos pessoais (que consiga mensurar), como lazer, saídas e afins. Não deixe de colocar aí seu plano de saúde, condução (caso trabalhe em coworking), e também seu lazer (cinema, teatro, futebol, seja lá o que você faz para lazer, adicione aí também).

— PAUSA PARA UMA BREVE EXPLICAÇÃO —

Esses valores que eu coloco em lazer é a forma como eu MENSURO o meu VALOR entregue ao cliente. Isso é, eu me divirto, saio, vou a balada e com certeza vou ao cinema, e isso tudo está lá no meu preço por hora de trabalho, porque sei o quanto entrego de valor para cada cliente, sei qual meu nível de conhecimento/habilidade na minha área e considero que é aqui que o VALOR AGREGADO é realmente pago.

Diga-me: você não curte uma breja e um boa pausa do trabalho? Isso precisa ter um custo e necessita ser devidamente PAGO, afinal você entrega VALOR ao seu cliente final, e é dessa forma que seu próprio suor irá te retribuir

Atenção, essa é a forma como EU FAÇO, não é uma regra geral e em nenhum momento digo que seja a única forma de fazê-lo

——– VOLTAMOS PARA A PROGRAMAÇÃO NORMAL ——–

Na segunda coluna agora você deve colocar esses valores. Para as contas que são mensais mas que não possuam valor fixo (luz e água, por exemplo) você pode usar a média dos últimos três meses.

Agora você deve somar todos esses “custos”, e chegará a um resultado real de quanto você PRECISA.

Você se lembra que eu pedi pra você colocar antes de tudo o valor que você gostaria de receber? Então, compare eles, é igual? Superior? Inferior?

Essa primeira parte é também um exercício para você ter a real noção de quanto você custa de verdade e saber se suas expectativas (o que você gostaria de receber por mês) estão alinhadas com a realidade (o que você PRECISA receber por mês).

Muito bem, uma vez que tenha chegado a um valor final, você deverá levar em consideração a quantidade de horas que deseja trabalhar por mês.

Exemplo, vamos supor que você tenha chegado ao valor de R$ 5000, e que vá fazer uma jornada de 8 horas por dia, que dá um total de 40 horas semanais e por tanto 160 horas por mês. Você deve dividir os R$ 5000 por 160, chegando ao resultado de 31,25

Você chegou ao valor mínimo da sua hora. Perceba que ainda não haveria LUCRO se você utilizasse apenas esse valor como base.

Envolvendo outros custos ao projeto

Na hora de precificar um projeto você ainda deverá ter algum gasto com internet, com possíveis reuniões presenciais, talvez alguma alimentação para essas reuniões e afins.

Aqui é que esta o PULO do Gato, e muita gente esquece disso, na hora de descobrir quanto cobrar por um freela, você precisa levar em consideração as particularidades de cada projeto, por isso se faz essencial que seu briefing seja muito bem elaborado e você não fique com dúvidas.

Por aqui eu faço o seguinte: após leitura do briefing, caso fique alguma dúvida eu entro em contato com o cliente e anoto todas as minhas dúvidas, tiro todas as dúvidas em call ou e-mail ou whatsapp, e alinho todas as entregas iniciais. Feito isso e com tudo devidamente anotado eu estabeleço um número máximo de reuniões presenciais e de horas por call com esse cliente.

É claro que cada projeto vai dar uma quantidade diferente de horas, justamente por que cada projeto é único.

Uma vez que você saiba quantas horas vai gastar com reuniões e calls, adicione essas horas na sua tabela enquanto está criando seu orçamento.

É importante que gastos com uber/taxi/condução sejam incluidos em valor moeda – Quanto você gastará para ir até o cliente durante uma reunião presencial? Haverá alimentação na rua por conta disso? E assim por diante. As reuniões em si são “cobradas” por preço hora, mas os demais custos não.

Definindo o preço do projeto

Agora você tem seu custo por hora, e sabe alguns detalhes de quanto vai custar algumas atividades do projeto. Chegamos ao momento de estabelecer o valor do projeto em si.

Nesse momento o Briefing é super importante e você precisa saber cada etapa que será necessária para executar seu projeto.

Você precisa estar familiarizado com o seu processo e é preciso “quebrar” seu projeto em etapas.

Veja um exemplo de um projeto WEB:

PROJETO: Desenvolvimento de site

  • TAREFA 1: Configuração de Hospedagem
  • TAREFA 2: Instalação de WordPress
  • TAREFA 3: Configuração de WordPress
  • TAREFA 4: …

Uma vez que suas tarefas estejam bem divididas você precisará saber quanto tempo você gasta em cada tarefa, criando uma nova coluna com base no briefing/projeto específico.

PROJETO: Desenvolvimento de site

  • TAREFA 1: Configuração de Hospedagem | 1 hora
  • TAREFA 2: Instalação de WordPress | 1 hora e 30 min
  • TAREFA 3: Configuração de WordPress | 1 hora
  • TAREFA 4: … | etc…

TOTAL DE HORAS 3 horas e 30 min

É essencial que você saiba o tempo de cada atividade relacionada ao projeto. Adicione também as reuniões e calls como ATIVIDADES/TAREFAS nessa tabela e some a quantidade de horas que serão investidos ao todo.

Com essa informação em mãos multiplique o preço da sua hora pela quantidade de horas que serão executadas nesse projeto.

Exemplo: O projeto terá um total de 18 horas (considerando reuniões!) x 31,25 = R$ 562,50

Particularidade de cada projeto:

Não esqueça de somar também as particularidades ao projeto; foi necessário comprar alguma ferramenta? Há necessidade de terceirizar alguma atividade com outro freelancer? Será necessário algum investimento em algo diferente para esse projeto? Talvez você precise comprar algumas imagens?

Não importa, você não pode deixar de adicionar todos os custos envolvido.

Ok, mas e o Lucro?

Se você fez as contas certas você deve ter notado que mesmo “pagando” seu lazer o valor do projeto não está LUCRANDO.

Você É UMA EMPRESA e como tal almeja crescer e prosperar. É claro que seu principal objetivo precisa ser a entrega de RESULTADOS para seu cliente, mas isso não deve ser opor a sua lucratividade.

O lucro é o que sobra quando todas as contas são pagas e serve para algumas coisas: Reinvestir na empresa, investir em alguma renda passiva (tesouro direto, poupança, etc), ou mesmo pra gastar (moderadamente, ok?).

Muito bem, uma vez que você tenha chegado ao valor final do seu projeto, você precisará estabelecer uma margem de LUCRO nessa conta.

Minha sugestão é que você primeiro estabeleça um valor mínimo de lucro, aquele valor pelo qual você não poderá negociar: abaixo dele você não sente que esta ganhando.

Sendo assim, vamos novamente exemplificar: Suponhamos que o projeto acima citado tenha chegado ao total de R$ 890 reais, o preço mínimo de LUCRO estabelecido é de 50% sobre esse valor, assim: R$ 890 + 50% = R$ 1.335 esse é o valor mínimo pelo qual devo receber nesse projeto.

Eu posso usar um margem de lucro maior, como 80%, 90% ou até 100% (Novamente leve em consideração suas habilidades, conhecimentos e o valor que você REALMENTE agrega e entrega, seja sincero consigo mesmo).

Essa margem pode servir ainda para facilitar a negociação de preço. Convenhamos, a gente sabe que cliente as vezes chora, e por conta disso é que você precisa ter feito sua margem de lucro mínima.

Seguindo o exemplo anterior: minha margem mínima é de 50%, mas eu calculo e apresento ao meu cliente um total com a margem em 80%: R$ 1.602,00. Assim eu ganho uma margem de negociação de até R$ 267 (1602 – 1335).

Entretanto não use isso como argumento para cobrar mais barato: Você PRECISA se valorizar e se acredita no seu potencial e no valor de seu serviço, use essa margem apenas em casos específicos.

Algumas considerações

Você precisa conhecer seus serviços, estar íntimo de cada atividade em seus projetos, levar em consideração seu valor agregado e em hipótese alguma se desvalorizar.

Não saia cobrando mais barato na busca de fechar mais freelas, não vale a pena. Foque na prospecção e vendas diariamente e lembre-se: “Um não bem dado, evita um job mal pago!

Se toda a matemática também ficou difícil de acompanhar ou só deu aquela preguiça mesmo, eu super indico essa calculadora mágica aqui, com ela você poderá também ter uma noção bem legal e super completa de quanto cobrar por sua hora!

Por enquanto é isso, e se você gostou desse conteúdo ou ele te ajudou de alguma forma, não deixa de comentar aqui embaixo e compartilhar nas suas redes.

Até a próxima!

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